Arrisco-me

Alma cão.
Todo e cada dia passado de cores na voz, fazendo promessas, “até ao fim”…
E então que chega o fim, o fim da cor, da melodia...O fim do fim.
Encontro a caixa, e está tal qual a deixo todos os dias: fria, monocromática, inflexível…
A Alma, essa, é deixada amarrada, fora da caixa, fora desse mundo ao qual não pertence.  Nunca foi bem vinda, toda essa vida nela existente não tem lugar ali.
Intrusa, rejeitada, não-reconhecida, naquele lugar dos diabos em que tudo é calculado não pode existir.
Eu, eu estaria disposta a arriscar a minha existência,
para que ela pudesse ser reconhecida

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Mas é preciso arriscar (!)

 « (…) Já sete horas”, disse para consigo ao ouvir de novo o despertador, “já sete horas e um nevoeiro destes.” E durante uns instantes ficou quieto, respirando baixinho, como se esperasse do silêncio absoluto a reposição da situação real e natural. (…) preparou-se para balançar o corpo a todo o comprimento, fazendo-o cair assim de uma vez de cima da cama. Se se deixasse cair desta maneira, a cabeça, que ele levantaria ao máximo ao tombar, não devia sofrer nada. As costas pareciam ser duras, e não lhes aconteceria nada se caíssem em cima do tapete. O que mais o preocupava era a ideia do estrondo que isso iria provocar, e do susto, ou pelo menos da preocupação que tal baque iria causar atrás de todas as portas. Mas era preciso arriscar. (…)» (“A Metamorfose”, Franz Kafka)

Mas é preciso arriscar... e tu, o que estás disposto a arriscar?
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